REGRA DE SÃO BENTO

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PRÓLOGO

  Escuta, filho, os preceitos do Mestre, e inclina o ouvido do teu coração; recebe de boa vontade e executa eficazmente o conselho de um bom pai, para que voltes, pelo labor da obediência, àquele de quem te afastaste pela desídia da desobediência. A ti, pois, se dirige agora a minha palavra,...

É CHAMADA REGRA PORQUE DIRIGE OS COSTUMES DOS QUE A ELA OBEDECEM

 

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CAPÍTULO 1 – DOS GÉNEROS DE MONGES

É sabido que há quatro géneros de monges. O primeiro é o dos cenobitas, isto é, o monasterial, dos que militam sob uma Regra e um Abade.   O segundo género é o dos anacoretas, isto é, dos eremitas, daqueles que, não por um fervor inicial da vida monástica, mas através de provação diuturna no...

CAPÍTULO 2 – COMO DEVE SER O ABADE

  O Abade digno de presidir ao mosteiro, deve lembrar-se sempre daquilo que é chamado, e corresponder pelas ações ao nome de superior. Com efeito, crê-se que, no mosteiro ele faz as vezes do Cristo, pois é chamado pelo mesmo cognome que Este, no dizer do Apóstolo: “Recebestes o espírito de...

CAPÍTULO 3 – DA CONVOCAÇÃO DOS IRMÃOS A CONSELHO

  Todas as vezes que deverem ser feitas coisas importantes no mosteiro, convoque o Abade toda a comunidade e diga ele próprio de que se trata. Ouvindo o conselho dos irmãos, considere consigo mesmo e faça o que julgar mais útil. Dissemos que todos fossem chamados a conselho porque muitas vezes...

CAPÍTULO 4 – QUAIS SÃO OS INSTRUMENTOS DAS BOAS OBRAS

  Primeiramente, amar ao Senhor Deus de todo o coração, com toda a alma, com todas as forças.   Depois, amar ao próximo como a si mesmo.   Em seguida, não matar.   Não cometer adultério.   Não furtar.   Não cobiçar.   Não levantar falso testemunho.   Honrar...

CAPÍTULO 5 – DA OBEDIÊNCIA

  O primeiro grau da humildade é a obediência sem demora. É peculiar àqueles que estimam nada haver mais caro que o Cristo; por causa do santo serviço que professaram, por causa do medo do inferno ou por causa da glória da vida eterna, desconhecem o que seja demorar na execução de alguma coisa...

CAPÍTULO 6 - DO SILÊNCIO

  Façamos o que diz o profeta: “Eu disse, guardarei os meus caminhos para que não peque pela língua: pus uma guarda à minha boca: emudeci, humilhei-me e calei as coisas boas”.   Aqui mostra o Profeta que, se, às vezes, se devem calar mesmo as boas conversas, por causa do silêncio, quanto...

CAPÍTULO 7 – DA HUMILDADE

  Irmãos, a Escritura divina nos clama dizendo: “Todo aquele que se exalta será humilhado e todo aquele que se humilha será exaltado”. Indica-nos com isso que toda elevação é um gênero da soberba, da qual o Profeta mostra precaver-se quando diz: “Senhor, o meu coração não se exaltou, nem foram...

CAPÍTULO 8 – DOS OFÍCIOS DIVINOS DURANTE A NOITE

  Em tempo de inverno, isto é, de primeiro de novembro até a Páscoa, em consideração ao que é razoável, devem os monges levantar-se à oitava hora da noite de modo que durmam um pouco mais da metade da noite e se levantem tendo já feita a digestão. O tempo que resta depois das Vigílias seja...

CAPÍTULO 9 – QUANTOS SALMOS DEVEM SER DITOS NAS HORAS NOTURNAS

  No tempo de inverno acima citado, diga-se em primeiro lugar o versículo, repetido três vezes: “Senhor, abrireis os meus lábios e minha boca anunciará vosso louvor”, ao qual deve ser acrescentado o salmo terceiro e o “Glória”. Depois desse, o salmo nonagésimo quarto, com antífona, ou então...

CAPÍTULO 10 – COMO SERÁ CELEBRADO NO VERÃO O LOUVOR DIVINO

  De Páscoa até primeiro de novembro, mantenha-se, quanto à salmodia, a mesma medida acima determinada; as lições do livro, porém, por causa da brevidade das noites, não são lidas; em lugar dessas três lições, seja recitada de memória uma do Antigo Testamento, seguida de responsório breve, e...

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CAPÍTULO 11 – COMO SERÃO CELEBRADAS AS VIGÍLIAS AOS DOMINGOS

  Aos domingos, levante-se mais cedo para as Vigílias, nas quais se mantenha a mesma medida já referida, isto é: modulados, conforme dispusemos acima, seis salmos e o versículo, e estando todos convenientemente e pela ordem assentados nos bancos, leiam-se no livro, como já mencionamos, quatro...

CAPÍTULO 12 – COMO SERÁ REALIZADA A SOLENIDADE DAS MATINAS

  Nas Matinas de domingo, diga-se em primeiro lugar o salmo sexagésimo sexto, sem antífona, em tom direto. Diga-se, depois, o quinquagésimo, com “Aleluia”. Em seguida, o centésimo décimo sétimo e o sexagésimo segundo; seguem-se então os “Benedicite”, e os “Laudate”, uma lição do Apocalipse de...

CAPÍTULO 13 – COMO SERÃO REALIZADAS AS MATINAS EM DIA COMUM

  Nos dias comuns, porém, a solenidade das Matinas seja assim realizada, a saber: recita-se o salmo sexagésimo sexto sem antífona, um tanto lentamente, como no domingo, de modo que todos cheguem para o quinquagésimo, o qual deve ser recitado com antífona.   Depois desse, recitem-se outros...

CAPÍTULO 14 – COMO SERÃO CELEBRADAS AS VIGÍLIAS NOS NATALÍCIOS DOS SANTOS

  Nas festas dos Santos e em todas as solenidades, proceda-se do mesmo modo que indicamos para o domingo exceto que, quanto aos salmos, antífonas e lições, sejam ditos os que pertencem à própria festa; mantenha-se, porém, a mesma disposição acima descrita.   VOLTAR AO ÍNDICE DA REGRA DE...

CAPÍTULO 15 – EM QUAIS ÉPOCAS SERÁ DITO O ALELUIA

  Da Santa Páscoa até Pentecostes, diga-se sem interrupção o “Aleluia” tanto nos salmos como nos responsórios. De Pentecostes até o início da Quaresma, diga-se todas as noites, mas somente com os seis últimos salmos dos noturnos . Em todo domingo, fora da Quaresma, digam-se com “Aleluia” os...

CAPÍTULO 16 – COMO SERÃO CELEBRADOS OS OFÍCIOS DURANTE O DIA

  Diz o Profeta: “Louvei-vos sete vezes por dia”. Assim, também nósrealizaremos esse sagrado número, se, por ocasião das Matinas, Prima, Terça, Sexta, Noa, Vésperas e Completas, cumprirmos os deveres da nossa servidão; porque foi destas Horas do dia que ele disse: “Louvei-vos sete vezes...

CAPÍTULO 17 – QUANTOS SALMOS DEVERÃO SER CANTADOS NESSAS MESMAS HORAS

  Já dispusemos a Ordem da Salmodia, dos Noturnos e das Matinas; vejamos agora a das Horas seguintes. À Hora de Prima sejam ditos: três salmos separadamente, não sob um só “Glória”, e o hino da mesma Hora, que virá depois do versículo “Ó Deus, vinde em meu auxílio” e antes que sejam começados...

CAPÍTULO 18 – EM QUE ORDEM OS MESMOS SALMOS DEVEM SER DITOS

  Diga-se o versículo: “Ó Deus, vinde em meu auxílio; apressai-vos, Senhor,em socorrer-me”, o Glória, e depois o Hino de cada uma das Horas. Em seguida, na hora de Prima do domingo, devem ser ditas quatro divisões dosalmo centésimo décimo oitavo; nas demais Horas, isto é, Terça, Sexta e Noa...

CAPÍTULO 19 – DA MANEIRA DE SALMODIAR

  Cremos estar em toda parte a presença divina e que “os olho do Senhor veem em todo lugar os bons e os maus”. Creiamos nisso principalmente e sem dúvida alguma, quando estamos presentes ao Ofício Divino.   Lembremos-nos, pois, sempre, do que diz o Profeta: “Servi ao Senhor...

CAPÍTULO 20 – DA REVERÊNCIA NA ORAÇÃO

  Se queremos sugerir alguma coisa aos homens poderosos, não ousamos fazê-lo a não ser com humildade e reverência; quanto mais não se deverá empregar toda a humildade e pureza de devoção para suplicar ao Senhor Deus de todas as coisas? E saibamos que seremos ouvidos, não com o muito falar, mas...

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CAPÍTULO 21 – DOS DECANOS DO MOSTEIRO

  Se a comunidade for numerosa, sejam escolhidos, dentre os seus membros, irmãos de bom testemunho e de vida monástica santa, e constituídos Decanos; empreguem sua solicitude em tudo o que diz respeito às suas decanias,conforme os mandamentos de Deus e os preceitos do seu Abade.   Que os...

CAPÍTULO 22 – COMO DEVEM DORMIR OS MONGES

  Durma cada um em uma cama.   Tenham seus leitos de acordo com o modo de viver monástico e conforme o abade distribuir.   Se for possível, durmam todos num mesmo lugar; se, porém, o número não o permitir, durmam aos grupos de dez ou vinte, em companhia de monges mais velhos que...

CAPÍTULO 23 – DA EXCOMUNHÃO PELAS FALTAS

  Se houver algum irmão teimoso ou desobediente, soberbo ou murmurador, ou em algum modo contrário à santa Regra, e desprezador dos preceitos dos seus superiores, seja ele admoestado, conforme o preceito de nosso Senhor, a primeira e a segunda vez, em particular pelos seus...

CAPÍTULO 24 – QUAL DEVE SER O MODO DE PROCEDER-SE À EXCOMUNHÃO

  A medida tanto da excomunhão como da disciplina, deve regular-se segundo a espécie da falta, e esta espécie das faltas está sob critério do julgamento do abade. Se algum irmão incorrer em faltas mais leves, seja privado da participação à mesa. Será este o proceder de quem está privado da...

CAPÍTULO 25 – DAS FALTAS MAIS GRAVES

  Que seja suspenso da mesa e também do oratório o irmão culpado de faltas mais graves.   Que nenhum irmão se junte a ele em nenhuma espécie de relação, nem para lhe falar.   Esteja sozinho no trabalho que lhe for determinado, permanecendo no luto da penitência, ciente daquela...

CAPÍTULO 26 - DOS QUE SEM AUTORIZAÇÃO SE JUNTAM AOS EXCOMUNGADOS

Se algum irmão ousar juntar-se, de qualquer modo, ao irmão excomungado sem ordem do Abade, ou de falar com ele ou mandar-lhe um recado, aplique-se-lhe o mesmo castigo de excomunhão.   VOLTAR AO ÍNDICE DA REGRA DE SÃO BENTO 

CAPÍTULO 27 – COMO DEVE O ABADE SER SOLÍCITO PARA COM OS EXCOMUNGADOS

  Cuide o Abade com toda a solicitude dos irmãos que caírem em faltas, porque “não é para os sadios que o médico é necessário, mas para os que estão doentes”.   Por isso, como sábio médico, deve usar de todos os meios, enviar “simpectas”, isto é, irmãos mais velhos e sábios que, em...

CAPÍTULO 28 – DAQUELES QUE MUITAS VEZES CORRIGIDOS NÃO QUISEREM EMENDAR-SE

  Se algum irmão frequentes vezes corrigido por qualquer culpa não se emendar, nem mesmo depois de excomungado, que incida sobre ele uma correção mais severa, isto é, use-se o castigo das varas.   Se nem assim se corrigir, ou se por acaso, o que não aconteça, exaltado pela soberba,...

CAPÍTULO 29 – SE DEVEM SER NOVAMENTE RECEBIDOS OS IRMÃOS QUE SAEM DO MOSTEIRO

O irmão que sai do mosteiro por culpa própria, se quiser voltar, prometa, antes, uma completa emenda do vício que foi a causa de sua saída, e então seja recebido no último lugar, para que assim se prove a sua humildade. Se de novo sair, seja assim recebido até três vezes, já sabendo que depois lhe...

CAPÍTULO 30 – DE QUE MANEIRA SERÃO CORRIGIDOS OS DE MENOR IDADE

Cada idade e cada inteligência deve ser tratada segundo medidas próprias.   Por isso, os meninos e adolescentes ou os que não podem compreender que espécie de pena é, na verdade, a excomunhão, quando cometem alguma falta, sejam afligidos com muitos jejuns ou castigados com ásperas varas, para...

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CAPÍTULO 31 – COMO DEVE SER O CELEIREIRO DO MOSTEIRO

  Seja escolhido para Celereiro do mosteiro, dentre os membros da comunidade, um irmão sábio, maduro de caráter, sóbrio, que não coma muito, não seja orgulhoso, nem turbulento, nem injuriador, nem tardo, nem pródigo, mas temente a Deus; que seja como um pai para toda a comunidade. Tome conta...

CAPÍTULO 32 – DAS FERRAMENTAS E OBJECTOS DO MOSTEIRO

Quanto aos utensílios do mosteiro em ferramentas ou vestuário, ou quaisquer outras coisas, procure o Abade irmão de cuja vida e costumes esteja seguro e, como julgar útil, consigne-lhes os respectivos objetos para tomar conta e recolher. Mantenha o abade um inventário desses objetos, para que saiba...

CAPÍTULO 33 – SE OS MONGES DEVEM POSSUIR ALGUMA COISA DE PRÓPRIO

  Especialmente este vício deve ser cortado do mosteiro pela raiz; ninguém ouse dar ou receber alguma coisa sem ordem do Abade, nem ter nada de próprio, nada absolutamente, nem livro, nem tabuinhas, nem estilete, absolutamente nada, já que não lhes é lícito ter a seu arbítrio nem o próprio...

CAPÍTULO 34 – SE TODOS DEVEM RECEBER IGUALMENTE O NECESSÁRIO

  Como está escrito, repartia-se para cada um conforme lhe era necessário. Não dizemos, com isso, que deva haver acepção de pessoas, o que não aconteça, mas sim consideração pelas fraquezas, de forma que quem precisar de menos dê graças a Deus e não se entristeça por isso; quem precisar de...

CAPÍTULO 35 – DOS SEMANÁRIOS DA COZINHA

  Que os irmãos se sirvam mutuamente e ninguém seja dispensado do ofício da cozinha, a não ser no caso de doença ou se se tratar de alguém ocupado em assunto de grande utilidade; pois por esse meio se adquire maior recompensa e caridade. Para os fracos, arranjem-se auxiliares, a fim de que não...

CAPÍTULO 36 – DOS IRMÃOS ENFERMOS

  Antes de tudo e acima de tudo deve tratar-se dos enfermos de modo que se lhes sirva como verdadeiramente ao Cristo, pois Ele disse: “Fui enfermo e visitastes-me” e “Aquilo que fizestes a um destes pequeninos, a mim o fizestes”.   Mas que os próprios enfermos considerem que são servidos...

CAPÍTULO 37 – DOS VELHOS E DAS CRIANÇAS

  Ainda que a própria natureza humana seja levada à misericórdia para com estas idades, velhos e crianças, no entanto que a autoridade da Regra olhe também por eles.   Considere-se sempre a fraqueza que lhes é própria, e não se mantenha para com eles o rigor da Regra no que diz respeito...

CAPÍTULO 38 – DO LEITOR SEMANÁRIO

  Às mesas dos irmãos não deve faltar a leitura; não deve ler aí quem quer que, por acaso, se apodere do livro, mas sim o que vai ler durante toda a semana, a começar do domingo. Depois da Missa e da Comunhão, peça a todos que orem por ele para que Deus afaste dele o espírito de...

CAPÍTULO 39 – DA MEDIDA DA COMIDA

  Cremos que são suficientes para a refeição quotidiana, quer seja esta à sexta ou à nona hora, em todas as mesas, dois pratos de cozidos, por causa das fraquezas de muitos, a fim de que aquele que não puder, por acaso, comer de um prato, coma do outro.   Portanto dois pratos de cozidos...

CAPÍTULO 40 – DA MEDIDA DA BEBIDA

  Cada um recebe de Deus um dom particular, este de um modo, aquele de outro; por isso, é com algum escrúpulo que estabelecemos nós a medida para a alimentação de outros; no entanto, atendendo à necessidade dos fracos, achamos ser suficiente, para cada um, uma hêmina de vinho por...

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CAPÍTULO 41 – A QUE HORAS CONVÉM FAZER AS REFEIÇÕES

Da Santa Páscoa até Pentecostes, façam os irmãos a refeição à hora sexta e ceiem à tarde. A partir de Pentecostes, entretanto, por todo o verão, se os monges não têm os trabalhos dos campos ou não os perturba o excesso do verão, jejuem quarta e sexta-feira até a hora nona; nos demais dias jantem à...

CAPÍTULO 42 – QUE NINGUÉM FALE DEPOIS DAS COMPLETAS

  Os monges devem, em todo tempo, esforçar-se por guardar o silêncio, mas principalmente nas horas da noite. Por isso, em qualquer época do ano, seja de jejum, seja a época em que há jantar; se for época em que há jantar, logo que se levantarem da refeição, sentem-se todos juntos e leia um...

CAPÍTULO 43 – DOS QUE CHEGAM TARDE AO OFÍCIO DIVINO OU À MESA

  Na hora do Ofício Divino, logo que for ouvido o sinal, deixando tudo que estiver nas mãos, corra-se com toda a pressa, mas com gravidade, para que a escurrilidade não encontre incentivo.   Portanto nada se anteponha ao Ofício Divino. Se alguém chegar às Vigílias noturnas depois do...

CAPÍTULO 44 - COMO DEVEM FAZER SATISFAÇÃO OS QUE TIVEREM SIDO EXCOMUNGADOS

  Aquele que por culpas graves tiver sido excomungado do oratório e da mesa, na hora em que no oratório se termina o Ofício Divino, permaneça prostrado diante das portas do oratório, sem nada dizer, com o rosto em terra, estendido e inclinado aos pés de todos os que saem do oratório.   E...

CAPÍTULO 45 - DOS QUE ERRAM NO ORATÓRIO

Se alguém errar quando recitar um salmo, responsório, antífona ou lição, e se não se humilhar, ali mesmo, diante de todos por uma satisfação, sofra castigo maior, de vez que não quis corrigir, pela humildade, a falta que cometeu por negligência. As crianças por tal falta recebam...

CAPÍTULO 46 - DAQUELES QUE COMETEM FALTAS EM QUAISQUER OUTRAS COISAS

  Se alguém, ocupado em qualquer trabalho na cozinha, no celeiro, no cumprimento de uma ordem, na padaria, na horta, enquanto trabalha em algum ofício e em qualquer lugar que seja, cometer alguma falta, quebrar ou per der qualquer coisa, ou exceder-se em qualquer lugar e não vier...

CAPÍTULO 47 - COMO DEVE SER DADO O SINAL PARA O OFÍCIO DIVINO

Esteja ao cuidado do Abade o dever de anunciar a hora do Ofício Divino, de dia e de noite; ele próprio dê o sinal ou então encarregue desse cuidado a um irmão, de tal modo solícito, que todas as coisas se realizem nas horas competentes. Entoem os salmos e antífonas, depois do Abade, na respectiva...

CAPÍTULO 48 - DO TRABALHO MANUAL COTIDIANO

  A ociosidade é inimiga da alma; por isso, em certas horas, devem ocupar-se os irmãos com o trabalho manual, e em outras horas com a leitura espiritual.   Pela seguinte disposição, cremos poder ordenar os tempos dessas duas ocupa ções: isto é, que da Páscoa até o dia 14 de setembro,...

CAPÍTULO 49 - DA OBSERVÂNCIA DA QUARESMA

  Se bem que a vida do monge deva ser, em todo tempo, uma observância de Quaresma, como, porém, esta força é de poucos, por isso aconselhamos os monges a guardarem, com toda a pureza, a sua vida nesses dias de Quaresma e também a apagarem, nesses santos dias, todas as negligências dos outros...

CAPÍTULO 50 - DOS IRMÃOS QUE TRABALHAM LONGE DO ORATÓRIO OU ESTÃO EM VIAGEM

  Os irmãos que se encontram em um trabalho tão distante que não podem acorrer na devida hora ao oratório, e tendo o Abade ponderado que assim é, celebrem o Ofício Divino ali mesmo onde trabalham, dobrando os joelhos, com temor divino.   Da mesma forma, os que são mandados em viagem não...

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CAPÍTULO 51 - DOS IRMÃOS QUE PARTEM PARA NÃO MUITO LONGE

Não presuma comer fora o irmão que é mandado a um afazer qualquer e que é esperado no mosteiro no mesmo dia, ainda que seja instantemente convidado por qualquer pessoa; a não ser que, porventura, o Abade lhe tenha dado ordem para isso. Se proceder de outra forma, seja excomungado.   VOLTAR AO...

CAPÍTULO 52 - DO ORATÓRIO DO MOSTEIRO

  Que o oratório seja o que o nome indica, nem se faça ou se guarde ali coisa alguma que lhe seja alheio. Terminado o Ofício Divino, saiam todos com sumo silêncio e tenha-se reverência para com Deus; de modo que se acaso um irmão quiser rezar em particular, não seja impedido pela imoderação de...

CAPÍTULO 53 - DA RECEPÇÃO DOS HÓSPEDES

  Todos os hóspedes que chegarem ao mosteiro sejam recebidos como o Cristo, pois Ele próprio irá dizer: “Fui hóspede e me recebestes”. E se dispense a todos a devida honra, principalmente aos irmãos na fé e aos peregrinos.   Logo que um hóspede for anunciado, corra-lhe ao encontro o...

CAPÍTULO 54 - SE O MONGE DEVE RECEBER CARTAS OU QUALQUER OUTRA COISA

  Não seja permitido de modo algum o monge receber ou enviar a seus pais ou a qualquer pessoa ou um ao outro cartas, eulógias, ou quaisquer pequenos presentes, sem permissão do abade. E também, se alguma coisa lhe for enviada pelos seus pais, não presuma recebê-la sem que seja mostrada ao...

CAPÍTULO 55 - DO VESTUÁRIO E DO CALÇADO DOS IRMÃOS

  Sejam dadas vestes aos irmãos de acordo com as condições e temperatura dos lugares em que habitam porque, nas regiões frias, tem-se necessidade de mais, e nas quentes, de menos.   Cabe ao Abade a consideração disso. Cremos, porém, que, para os lugares de temperatura mediana, aos monges...

CAPÍTULO 56 - DA MESA DO ABADE

Tenha sempre o Abade à sua mesa com os hóspedes e peregrinos. Toda vez, porém, que não há hóspedes, esteja em seu poder chamar dentre os irmãos os que quiser; mas um ou dois dos mais velhos devem sempre ser deixados com os irmãos, por causa da disciplina.   VOLTAR AO ÍNDICE DA REGRA DE SÃO...

CAPÍTULO 57 - DOS ARTISTAS DO MOSTEIRO

  Se há artistas no mosteiro, que executem suas artes com toda a humildade, se o Abade o permitir.   E se algum dentre eles se ensoberbece em vista do conhecimento que tem de sua arte, pois parece-lhe que com isso alguma vantagem traz ao mosteiro, que seja esse tal afastado de sua arte e...

CAPÍTULO 58 - DA MANEIRA DE PROCEDER À RECEPÇÃO DOS IRMÃOS

  Apresentando-se alguém para a vida monástica, não se lhe conceda fácil ingresso, mas, como diz o Apóstolo: “Provai os espíritos, se são de Deus”. Portanto, se aquele que vem, perseverar batendo à porta e se depois de quatro ou cinco dias, sendo-lhe feitas injúrias e dificuldade para entrar,...

CAPÍTULO 59 - DOS FILHOS DOS NOBRES OU DOS POBRES QUE SÃO OFERECIDOS

  Se porventura, algum nobre oferece o seu filho a Deus no mosteiro, se o jovem é menor de idade façam os seus pais a petição de que falamos acima; e envolvam na toalha do altar essa petição e a mão do menino junto com a oblação, e assim o ofereçam.   Prometam na presente petição, sob...

CAPÍTULO 60 - DOS SACERDOTES QUE, PORVENTURA, QUISEREM HABITAR NO MOSTEIRO

  Se alguém da ordem dos sacerdotes pedir para ser recebido no mosteiro, não lhe seja concedido logo; mas, se persistir absolutamente nessa súplica, saiba que deverá observar toda a disciplina da Regra e não se lhe relaxará nada, de modo que lhe seja dito, como está escrito: “Amigo, a que...

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CAPÍTULO 61 - DOS MONGES PEREGRINOS COMO DEVEM SER RECEBIDOS

  Se chegar algum monge peregrino de longínquas províncias e quiser habitar no mosteiro como hóspede, e mostra-se contente com o costume que encontrou neste lugar, e, porventura, não perturba o mosteiro com suas exigências supérfluas, mas simplesmente está contente com o que encontra, seja...

CAPÍTULO 62 - DOS SACERDOTES DO MOSTEIRO

  Se o Abade quiser pedir que alguém seja ordenado presbítero ou diácono para si, escolha dentre os seus, quem seja digno de desempenhar o sacerdócio. Acautele-se o que tiver sido ordenado contra o orgulho ou soberba e não presuma fazer senão o que for mandado pelo Abade, sabendo que deverá...

CAPÍTULO 63 - DA ORDEM NA COMUNIDADE

  Conservem os monges no mosteiro a sua ordem, conforme o tempo que têm de vida monástica, o merecimento da vida e conforme o Abade constituir. Que o Abade não perturbe o rebanho que lhe foi confiado, nem usando como que de livre poder, disponha alguma coisa injustamente: mas lembre se sempre...

CAPÍTULO 64 - DA ORDENAÇÃO DO ABADE

  Na ordenação do Abade considere-se sempre a seguinte norma: seja consti tuído aquele que tiver sido eleito por toda a comunidade concorde no temor de Deus, ou, então, por uma parte, de conselho mais são, ainda que pequena.   Aquele que deve ser ordenado seja eleito pelo mérito da vida e...

CAPÍTULO 65 - DO PRIOR DO MOSTEIRO

  Muitas vezes acontece que, pela ordenação do Prior, se originam graves escândalos nos mosteiros; quando existem alguns que, inchados por um maligno espírito de soberba e julgando-se segundos Abades, atribuindo a si mesmos um poder tirânico, nutrem escândalos e fazem dissenções nas...

CAPÍTULO 66 - DOS PORTEIROS DO MOSTEIRO

  Coloque-se à porta do mosteiro um ancião sábio que saiba receber e trans mitir um recado e cuja maturidade não lhe permita vaguear.   O porteiro deverá ter a cela junto à porta para que os que chegam o encontrem sem pre presente e dele recebam resposta. Logo que alguém bater ou um pobre...

CAPÍTULO 67 - DOS IRMÃOS MANDADOS EM VIAGEM

  Os irmãos que vão partir em viagem recomendem-se às orações de todos os irmãos e do Abade; e sempre, na última oração do Ofício Divino, faça-se a comemoração de todos os ausentes.   Os irmãos que voltam de viagem, no mesmo dia em que chegam, em todas as Horas canônicas, quando ter mina...

CAPÍTULO 68 - SE SÃO ORDENADAS A UM IRMÃO COISAS IMPOSSÍVEIS

  Se a algum irmão são acaso ordenadas coisas pesadas ou impossíveis, que receba a ordem de quem manda com toda a mansidão e obediência.   Se vê que o peso do ônus excede absolutamente a medida de suas forças, sugira paciente e oportunamente ao seu superior as causas de sua...

CAPÍTULO 69 - NO MOSTEIRO NÃO PRESUMA UM DEFENDER O OUTRO

Deve-se tomar precaução para que no mosteiro não presuma um monge de fender outro, seja por que motivo for, ou como que protegê-lo, mesmo se ligados por qualquer laço de consanguinidade.   De modo algum seja isso presumido pelos monges, pois por este meio pode originar-se gravíssima ocasião de...

CAPÍTULO 70 - NÃO PRESUMA ALGUÉM BATER EM OUTREM A PRÓPRIO ARBÍTRIO

  Seja vedada no mosteiro toda ocasião de presunção, e determinamos que a ninguém seja lícito excomungar ou bater em qualquer dos seus irmãos, a não ser aquele a quem foi dado o poder pelo Abade.   Que os transgressores sejam repreendidos diante de todos para que os demais tenham medo. A...

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CAPÍTULO 71 - QUE SEJAM OBEDIENTES UNS AOS OUTROS

  Não só ao Abade deve ser tributado por todos o bem da obediência, mas, da mesma forma, obedeçam também os irmãos uns aos outros, sabendo que por este caminho da obediência irão a Deus.   Colocado, pois, antes de tudo o poder do Abade e dos superiores por ele constituídos, ao qual não...

CAPÍTULO 72 - DO BOM ZELO QUE OS MONGES DEVEM TER

  Assim como há um zelo mau, de amargura, que separa de Deus e conduz ao inferno, assim também há o zelo bom, que separa dos vícios e conduz a Deus e à vida eterna.   Exerçam, portanto, os monges este zelo com amor ferventíssimo isto é, antecipem-se uns aos outros em honra.   Tolerem...

CAPÍTULO 73 - DE QUE NEM TODA A OBSERVÂNCIA DA JUSTIÇA SE ACHA ESTABELECIDA NESTA REGRA

  Escrevemos esta Regra para demonstrar que os que a observamos nos mosteiros, temos alguma honestidade de costumes ou algum início de vida monástica. Além disso, para aquele que se apressa para a perfeição da vida monástica, há as doutrinas dos Santos Padres, cuja observância conduz o homem...