GLÓRIAS DE MARIA

Doutor da Igreja e Fundador

da Congregação do Santíssimo Redentor

1696-1787

Doutor da Igreja e Fundador
da Congregação do Santíssimo Redentor
1696-1787

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PROTESTAÇÃO DO AUTOR

Obedecendo ao decreto de Urbano VIII, de santa memória, protesto que os milagres, revelações, graças e exemplos referidos neste livro, assim como os títulos de Santo ou Bem-aventurados dados a servos de Deus ainda não canonizados, só têm uma autoridade meramente humana. É esta a minha intenção,...

PRECE DO AUTOR A JESUS E A MARIA

  Ó amantíssimo Redentor e Senhor meu, Jesus Cristo, eu, vosso miserável servo, sei quanto vos agrada quem procura glorificar vossa Mãe Santíssima, que tanto amais e tanto desejais ver amada e honrada por todos. Por isso resolvi publicar este meu livro que fala de suas glórias.   Não sei,...

ADVERTÊNCIA AO LEITOR

  Para poupar ao presente trabalho a censura de uma crítica exagerada, julgo de utilidade esclarecer algumas proposições que nele se acham.   Poderiam elas parecer a muitos como temerárias ou obscuras. Aqui aponto algumas. Se o leitor encontrar outras semelhantes, peço-lhe acreditar que...

INTRODUÇÃO QUE MUITO IMPORTA LER

  Caro leitor e irmão em Maria Santíssima! – A devoção que me incita a escrever e te leva a ler este livro faz a nós ambos ditosos filhos desta boa Mãe. Talvez ouças alguém dizer que é inútil este meu trabalho. Pois já não existem tantos livros, célebres e doutos, sobre o mesmo assunto?...

ORAÇÃO A NOSSA SENHORA PARA OBTER UMA BOA MORTE

  Ó Maria, doce refúgio dos pobres pecadores, quando soar para minha alma a hora de sair deste mundo, vinde em meu socorro com vossa misericórdia, ó Mãe cheia de doçura. Fazei-o pelas dores que sentistes ao pé da cruz na qual morria vosso Filho. Afastai então de mim o infernal inimigo, e vinde...

PERGUNTAS FREQUENTES SOBRE O LIVRO GLÓRIAS DE MARIA

  Do que trata o livro as Glórias de Maria?   A intenção de Santo Afonso ao escrever as Glórias de Maria era de abrasar os corações dos fiéis no amor de Maria através de um livro que tratasse das glórias de Nossa Senhora em uma escrita de fácil acesso e rica em citações e sentenças dos...

AS ABUNDANTES E NUMEROSAS GRAÇAS DISPENSADAS PELA MÃE DE DEUS AOS QUE A SERVEM DEVOTAMENTE

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CAPÍTULO I. SALVE, RAINHA, MÃE DE MISERICÓRDIA

  I. NOSSA CONFIANÇA EM MARIA DEVE SER ILIMITADA PORQUE ELA É RAINHA DE MISERICÓRDIA     MARIA É RAINHA   Tendo sido a Santíssima Virgem elevada à dignidade de Mãe de Deus, com justa razão a Santa Igreja a honra, e quer que de todos seja honrada com o título glorioso de Rainha....

CAPÍTULO II. VIDA E DOÇURA NOSSA

  I. MARIA É NOSSA VIDA, PORQUE NOS OBTÉM O PERDÃO   A ORAÇÃO DE MARIA OBTÉM-NOS A GRAÇA DA JUSTIFICAÇÃO   Para a exata compreensão da razão por que a Santa Igreja nos ordena que chamemos a Maria nossa vida, é necessário saber que, assim como a alma dá vida ao corpo, assim também a...

CAPÍTULO III. ESPERANÇA NOSSA, SALVE!

  I. MARIA É A ESPERANÇA DE TODOS OS HOMENS   MARIA É REALMENTE NOSSA ESPERANÇA   Não suportam os hereges modernos que nós saudemos e chamemos a Maria nossa esperança. Dizem que só Deus é nossa esperança, e que ele amaldiçoa quem põe sua confiança na criatura. “Maldito o homem que...

CAPÍTULO IV. A VÓS BRADAMOS, OS DEGREDADOS FILHOS DE EVA

  I. DA PRONTIDÃO DE MARIA EM SOCORRER OS QUE A INVOCAM   MARIA AJUDA EM MUITOS APUROS DA VIDA   Como pobres filhos da infortunada Eva, somos réus da mesma culpa e condenados à mesma pena. Andamos errando por este vale de lágrimas, exilados de nossa pátria, chorando por tantas dores...

CAPÍTULO V. A VÓS SUSPIRAMOS, GEMENDO E CHORANDO NESTE VALE DE LÁGRIMAS

  I. NECESSIDADE DA INTERCESSÃO DE MARIA PARA NOSSA SALVAÇÃO   É MUITO SALUTAR A INTERCESSÃO DOS SANTOS   É a invocação e veneração dos santos, particularmente a de Maria, Rainha dos santos, uma prática não só lícita senão útil e santa. Pois procuramos por meio dela obter a graça...

CAPÍTULO VI. EIA, POIS, ADVOGADA NOSSA

  I. MARIA É ADVOGADA PODEROSA PARA TODOS SALVAR   MARIA É TODO-PODEROSA JUNTO DE DEUS   Tão grande é o prestígio de uma mãe, que nunca pode tornar-se súdita de seu filho, ainda que ele seja monarca e tenha domínio sobre todas as pessoas do seu reino. É verdade, sentado agora à...

CAPÍTULO VII. A NÓS VOLVEI ESSES VOSSOS OLHOS MISERICORDIOSOS

  TEM MARIA OLHOS COMPASSIVOS SOBRE NÓS PARA ALIVIAR NOSSAS MISÉRIAS     MARIA FOI MISERICORDIOSA NA TERRA   São Epifanio chama a divina Mãe de onividente, pois, como Mãe desvelada, é toda olhos para atender às nossas misérias na terra e aliviá-las. Perguntaram um dia ao...

CAPÍTULO VIII. E DEPOIS DESTE DESTERRO, MOSTRAI-NOS JESUS, BENDITO FRUTO DO VOSSO VENTRE

  I. MARIA LIVRA DO INFERNO A SEUS DEVOTOS   UM VERDADEIRO DEVOTO DE MARIA NÃO SE PERDE   É impossível que se perca um devoto de Maria, que fielmente a serve e a ela se encomenda. À primeira vista talvez pareça um tanto ousada esta proposição. Antes, porém, que seja rejeitada, peço...

CAPÍTULO IX. Ó CLEMENTE, Ó PIEDOSA

  I. DA GRANDE CLEMÊNCIA E PIEDADE DE MARIA   MARIA É TODA CLEMÊNCIA E BONDADE   O autor dos Discursos sobre a Salve Rainha diz que Maria é a terra prometida pelo Senhor, na qual manava leite e mel. Quer assim mostrar-nos de modo bem intuitivo a grande bondade dessa Rainha para...

CAPÍTULO X. Ó DOCE VIRGEM MARIA

  I. É SUAVE NA VIDA E NA MORTE O NOME DE MARIA   O NOME DE MARIA VEM DO CÉU   O sublime nome de Maria não foi encontrado na terra, nem inventado pelo entendimento ou arbítrio dos homens, como se dá com os outros nomes. Veio de Deus e foi-lhe imposto por ordem divina, como o atestam...

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ORAÇÕES MUITO DEVOTAS DE ALGUNS SANTOS À MÃE DE DEUS

  ORAÇÃO DE SANTO EFRÉM À VIRGEM MARIA   Ó imaculada e toda pura Virgem Maria, Mãe de Deus, Rainha do universo, nossa clementíssima Soberana, sois superior a todos os santos, sois a única esperança dos eleitos e a alegria dos bem-aventurados. Por vós somos reconciliados com nosso Deus....

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CAPÍTULO I. DA IMACULADA CONCEIÇÃO

  RESUMO HISTÓRICO.   Pelos fins do século VII apareceram alguns hinos, e, a partir do século VIII, celebravam-se em vários conventos do Oriente festas em louvor da Imaculada Conceição. Em 1166 o imperador Manuel Comneno declarou a festa como feriado nacional. Do Oriente veio ela para o...

CAPÍTULO II. DA NATIVIDADE DE MARIA

  RESUMO HISTÓRICO.   É no século VII que surge a festa da Natividade da Virgem. Dela temos menção no Sacramentário Gelasiano, livro que enumera as festividades da Igreja. O Papa Sérgio I (687-701) prescreveu para o dia de sua celebração uma procissão de rogações. No Oriente a festa era...

CAPÍTULO III. DA APRESENTAÇÃO DE MARIA

  RESUMO HISTÓRICO   É dos Apócrifos que procede a notícia da Apresentação de Maria no templo, na idade de três anos e em cumprimento de uma promessa feita por Joaquim e Ana, pais da Virgem Santíssima. Nos conventos do Oriente celebrava- se a festa desde muito tempo. Mais ou menos em 730...

CAPÍTULO IV. DA ANUNCIAÇÃO DE MARIA

  RESUMO HISTÓRICO.   Antigamente a Anunciação era considerada festa do Senhor, tendo o nome de Anunciação de Jesus Cristo. Começo da Redenção. Prevaleceu, entretanto, o uso de consagrar a festa à Santíssima Virgem. A prova mais antiga sobre o fato, temo-la no Sermão de São Proclo,...

CAPÍTULO V. DA VISITAÇÃO DE MARIA

  RESUMO HISTÓRICO.   Em 1247 vemos a festa da Visitação indicada na lista das festas do concílio de Le Mans. São Boaventura a fez introduzir na Ordem Franciscana, de onde ela passou para várias dioceses. Tornou-se universal em 1404, quando Bonifácio IX a generalizou para obter o socorro...

CAPÍTULO VI. DA PURIFICAÇÃO DE MARIA

  RESUMO HISTÓRICO.   No começo, a festa da Purificação foi celebrada mais como festividade de Nosso Senhor. Na lista gelasiana encontramo-la, pela primeira vez, com o nome de Purificação da Bem-aventurada Virgem Maria. No Oriente deram-lhe o nome de Encontro do Senhor com Simeão. Dela há...

CAPÍTULO VII. DA ASSUNÇÃO DE MARIA

  RESUMO HISTÓRICO   É esta a mais antiga das festas de Nossa Senhora. Não temos uma base histórica para o assunto da festa. Isso em nada a prejudica, porque a tradição em seu favor é antiquíssima. Já antes do ano 430 encontramos a festa. Até os Nestorianos, separando-se da Igreja,...

CAPÍTULO VIII. DA FESTA DA ASSUNÇÃO

  TRIUNFO E GLORIFICAÇÃO DE MARIA NO CÉU   Parecia justo que a Santa Igreja, neste dia da Assunção de Maria ao céu, antes nos convidasse a chorar que nos alegrar. Pois a nossa doce Mãe abandona a terra e deixa-nos privados da sua cara presença, como diz São Bernardo. Entretanto, não; a...

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CAPÍTULO I. MARIA FOI A RAINHA DOS MÁRTIRES POR CAUSA DA DURAÇÃO E INTENSIDADE DE SUAS DORES

  AS DORES DE NOSSA SENHORA   Resumo histórico.   Duas vezes no ano lembra-se a Igreja das Dores de Maria Santíssima: na Sexta-feira que antecede ao domingo de Ramos e no dia 15 de setembro. Já antes dessas solenidades vinha o povo cristão consagrando terna lembrança às Dores da Mãe...

CAPÍTULO II. REFLEXÕES SOBRE CADA UMA DAS SETE DORES DE MARIA

  1ª DOR: PROFECIAS DE SIMEÃO   Neste vale de lágrimas o homem nasce para chorar. Deve padecer e suportar os males que lhe sobrevêm cada dia. Entretanto, muito mais infeliz seria a vida se cada um soubesse os males futuros que o esperam. Desgraçadíssimo seria aquele a quem tocasse tal...

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CAPÍTULO I. HUMILDADE DE MARIA

  Diz o Pseudo-Agostinho que, para obter com mais certeza e profusão os favores dos santos, é necessário imitá-los porque nosso esforço nesse sentido fá-los dispostos a rogar por nós. Depois de ter subtraído alguma alma das garras de Lúcifer, unindo-a com Deus, quer Maria, Rainha dos santos e...

CAPÍTULO II. SUA CARIDADE PARA COM DEUS

  Diz Santo Alberto Magno:   Quanto é grande a pureza, é também grande o amor. Quanto mais um coração é puro e vazio de si mesmo, tanto mais cheio é de caridade para com Deus.   Assim Maria, sendo sumamente humilde e vazia de si, foi cheia do divino amor e nesse amor excedeu a todos...

CAPÍTULO III. SUA CARIDADE PARA COM O PRÓXIMO

  O amor para com Deus e para com o próximo nos é imposto pelo mesmo preceito:   “E nós temos de Deus este mandamento que o que ama a Deus ame também o seu irmão” (1Jo 4,21).   Santo Tomás dá-nos a razão: Quem ama a Deus ama todas as coisas amadas por ele. Disse um dia Santa Catarina...

CAPÍTULO IV. SUA FÉ

  A bem-aventurada Virgem, assim como é Mãe do amor e da esperança, também é Mãe da fé.   “Eu sou a Mãe do belo amor, do temor e do conhecimento e da santa esperança” (Eclo 24,24).   Acertadamente tal se chama, diz Santo Ireneu, porque o dano que Eva com sua incredulidade causou,...

CAPÍTULO V. SUA ESPERANÇA

  A ESPERANÇA DE MARIA   Da fé nasce a esperança. Pois Deus nos ilumina com a fé, fazendo-nos conhecer sua bondade e suas promessas, para que nos elevemos pela esperança ao desejo de possuí-lo. Possuindo Maria a virtude da fé por excelência, teve também, por excelência, a virtude da...

CAPÍTULO VI. SUA CASTIDADE

  CASTIDADE DE MARIA   Depois da queda de Adão, rebelaram-se os sentidos contra a razão, e não há para o homem mais difícil virtude a praticar do que a castidade. Conforme o Pseudo-Agostinho, por ela luta-se todos os dias, mas raramente se ganha a vitória. Mas o Senhor nos deu em Maria um...

CAPÍTULO VII. SUA POBREZA

  A POBREZA DE MARIA   Nosso amoroso Redentor, para ensinar-nos a desprezar os bens do mundo, quis viver pobre na terra.   “Por vosso amor Cristo se fez pobre, a fim de que vós fôsseis ricos” (2 Cor 8,9).   Daí a exortação do Senhor a quantos o querem seguir: Se queres ser...

CAPÍTULO VIII. SUA OBEDIÊNCIA

  OBEDIÊNCIA DE MARIA   A SANTÍSSIMA VIRGEM AMAVA A OBEDIÊNCIA   Quando da embaixada de São Gabriel não quis tomar outro nome senão o de escrava. “Eis aqui a escrava do Senhor”. Com efeito, testemunha São Tomás de Vilanova, essa fiel escrava do Senhor nunca o contrariou, nem por...

CAPÍTULO IX. SUA PACIÊNCIA

  A PACIÊNCIA DE MARIA     SENDO A TERRA LUGAR DE MERECIMENTOS, É COM RAZÃO CHAMADA VALE DE LÁGRIMAS, PORQUE NÓS TODOS AQUI FOMOS POSTOS PARA SOFRER, E POR MEIO DA PACIÊNCIA CONQUISTAR A VIDA ETERNA PARA NOSSAS ALMAS   Pois, não disse o Senhor: Por vossa paciência possuireis...

CAPÍTULO X. SEU ESPÍRITO DE ORAÇÃO

  O ESPÍRITO DE ORAÇÃO DE MARIA   Nunca viu a terra uma alma que, como Maria, com tanta perfeição pusesse em prática o grande preceito do Salvador: Importa orar sempre e nunca cessar de o fazer (Lc 18,1). Ninguém melhor do que Maria nos pode servir de exemplo, diz Conrado de Saxônia, e...

 

É tão liberal e tão grata a Rainha do céu, que retribui com grandes favores os pequenos obséquios de seus servos, diz Santo André de Creta. Todavia duas coisas são precisas para que ela assim nos recompense. Em primeiro lugar devemos oferecer-lhe nossos obséquios com a alma limpa de pecado. Do contrário nos acontecerá o que São Pedro Celestino relata. Um soldado viciado tinha por costume fazer todos os dias um ato de devoção em honra de Nossa Senhora. Certa vez sentiu muita fome. Apareceu-lhe a Virgem e apresentou-lhe um manjar delicioso, mas dentro de um vaso tão sujo, que ele teve nojo de comer.

 

– Eu sou a Mãe de Deus, disse-lhe então Maria, e vim saciar tua fome.

– Mas a falta de asseio que noto me impede de comer, observou o soldado.

– E como queres tu, replicou a Virgem, que eu aceite as tuas devoções, oferecidas com uma alma tão imunda?!

 

Com isso o pobre converteu-se, fez-se eremita e viveu 30 anos no deserto. Na hora da sua morte, apareceu-lhe de novo a Santíssima Virgem, levando-o para o céu.

 

Afirmamos, na Parte Primeira desta obra, ser impossível, moralmente falando, que se perca um devoto de Maria. Verifica-se, entretanto, isso com a condição de que ele viva sem pecado, ou que pelo menos tenha desejo de converter-se. Nesse caso, certamente, Maria o ajudará. Quisesse alguém, ao contrário, pecar na esperança de ser salvo por Nossa Senhora, e se tornaria por sua culpa indigno e incapaz da proteção de Maria.

 

Em segundo lugar nossa devoção deve ser perseverante. Só quem persevera recebe a coroa, diz São Bernardo. Tomás de Kempis, sendo menino, costumava todos os dias recorrer à Virgem Maria, com certas orações. Um dia, porém, delas se esqueceu, e depois omitiu-as durante umas semanas. Finalmente, as abandonou por completo. Certa noite, viu em sonho como Maria abraçava os seus companheiros, mas em lhe chegando a vez de ser abraçado, ela disse: Que esperas de mim, tu que deixaste as tuas devoções? Afasta-te, que és indigno de um abraço meu. – Tomás despertou aterrorizado e recomeçou com as costumadas devoções.

 

Com razão assegura por isso Ricardo de São Lourenço: Quem é perseverante na devoção de Maria, pode nutrir a bela esperança de ver realizados todos os seus desejos. Como ninguém, entretanto, pode estar certo de tal perseverança, ninguém por isso pode também ter certeza de sua salvação, antes da morte. Memorável ensinamento deixou a seus companheiros São João Berchmans, da Companhia de Jesus. Estando ele para morrer, perguntaram-lhe por um obséquio que fosse muito agradável a Nossa Senhora e dela lhes obtivesse a proteção. O Santo respondeu: Pouca coisa, mas com constância.

 

Vou, contudo, indicar, de um modo simples e sucinto, diversos obséquios que podemos ofertar à nossa boa Mãe para alcançar sua benevolência. É esta, em minha opinião, a coisa mais importante de quantas deixo escritas nesta obra. Mas não recomendo a meu leitor que as pratique todas. Pratique antes aquelas que escolher, mas com perseverança e com temor de perder a proteção da divina Mãe, se vier a deixá-las. Ah! quantos dos condenados de hoje se teriam salvado, se houvessem perseverado nas práticas de devoção em honra de Nossa Senhora!

 

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I. A AVE-MARIA

  Resumo histórico.   Até o século XV, a Ave-Maria terminava com as palavras “Jesus Cristo. Amém”. Daí em diante ajuntou-se-lhe a jaculatória “Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós, pecadores. Amém”. A partir do século XVI, veio então o final da oração com as palavras: Agora e na hora...

II. AS NOVENAS

  Os devotos de Maria celebram com muita atenção e fervor as novenas de suas festividades. E durante elas a Santíssima Virgem lhes dispensa, com muito amor, as graças inúmeras e especialíssimas. Viu um dia Santa Gertrudes, debaixo do manto de Maria, uma multidão de almas que nos dias...

III. O ROSÁRIO E O OFÍCIO

  Observação: Santo Afonso diz:   “A devoção do santo Rosário, como se sabe, foi revelada a São Domingos pela divina Mãe, quando, estando o Santo aflito e queixando-se a sua Senhora dos hereges albigenses, que naquele tempo causavam grande dano à Igreja, a Virgem lhe disse: Este terreno...

IV. O JEJUM

  Muitos são os devotos de Maria que, nos sábados, ou nas vigílias de suas festas, lhe oferecem o jejum. Como se sabe, a Santa Igreja consagrou à Virgem o sábado, porque nesse dia ela se conservou firme na fé, depois da morte de seu Filho, diz um venerável escritor nas obras de S. Bernardo....

V. VISITAR AS IMAGENS DE MARIA

  Diz o Padre Ségneri que o demónio não achou meio melhor para consolar-se das perdas que sofreu com a extinção da idolatria, que fazendo perseguir as imagens pelos hereges. Porém a Santa Igreja defende-se até com o sangue dos mártires. A própria Mãe de Deus tem demonstrado, mesmo com...

VI. O ESCAPULÁRIO

  Certos senhorios se gloriam de ter servos que tragam suas librés. Assim Maria Santíssima também estima que seus devotos tragam seu escapulário, em sinal de que são dedicados a seu serviço e fazem parte de sua família. Pessoas sem religião riem, segundo o costume, dessa devoção; mas a Santa...

VII. ENTRAR NAS CONGREGAÇÕES DE MARIA

  Alguns há que desaprovam as congregações, dizendo que muitas vezes são fontes de litígios, e que muitos encontram nelas por fins humanos. Mas assim como não se condenam as igrejas e os sacramentos por haver muitos que deles abusam, pela mesma razão não se deve condenar as confrarias. Longe...

VIII. DAR ESMOLAS EM HONRA DE MARIA

  Costumam os servos de Maria, sobretudo aos sábados, dar esmolas em sua honra. São Gregório fala de um irmão leigo, chamado Deusdedit, que distribuía aos pobres, no sábado, O que tinha ganho durante a semana, como sapateiro. Ora, a uma alma santa foi mostrado, em visão, um palácio suntuoso...

IX. RECORRER FREQUENTEMENTE A MARIA

Afirmo que, entre todas as práticas devotas, nenhuma há que tanto agrade a nossa Mãe, como recorrer frequentemente à sua intercessão. Peçamos- lhe, pois, auxílio em todas as necessidades particulares. Por exemplo: quando vamos tomar ou dar conselhos, nos perigos, nas aflições e tentações,...

X. ALGUNS OUTROS OBSÉQUIOS

  1. Celebrar ou fazer celebrar, ou pelo menos ouvir Missa em honra da Santíssima Virgem. É verdade que o Santo Sacrifício só se pode oferecer a Deus, principalmente em reconhecimento de seu supremo domínio. Isso, porém, não impede, diz o Sagrado Concílio de Trento, que ele possa ser oferecido...

 

E agora, leitor querido e fiel servo de Maria, nossa Mãe amantíssima, eu vos deixo, dizendo: Continuai fervorosamente a amar e honrar a essa boa Senhora. Esforçai-vos também por fazê-la amar por quantos conheceis, na firme convicção de que vos salvareis, se perseverardes na verdadeira devoção a Maria até a morte. Termino. Não que me falte o que dizer sobre as glórias dessa grande Rainha, mas para não vos enfastiar por mais tempo. 

 

O pouco que escrevi bem pode bastar para arrebatar-vos em entusiasmo diante desse grande tesouro que é a devoção à Mãe de Deus, à qual ela sempre corresponde com seu poderoso patrocínio. Cumpri agora o desejo que me levou a escrever esta obra: ver-vos salvo e santo, vendo-vos feito filho amante e apaixonado dessa amabilíssima Rainha. Se para esse fim contribuí com este meu livro, então encomendai-me a Maria e pedi-lhe para mim a graça que para vós peço: Deus permita que nos vejamos no paraíso, reunidos aos pés de Maria juntamente com os outros seus queridos filhos.

 

E dirigindo-me a vós, ó Maria, Mãe de meu Senhor e minha Mãe, rogo-vos que aceiteis este meu pobre trabalho e o desejo que tenho tido de ver- vos louvada e amada por todos. Sabeis com que ardor desejava terminar esta pequena obra das vossas glórias, antes que findasse minha vida, que já vai tocando ao termo. Agora posso dizer que morro contente, por deixar na terra este meu livro que continuará a louvar-vos e a pregar o vosso amor, como tenho sempre procurado fazer durante estes anos que têm seguido a minha conversão, a qual por meio de vós alcancei de Deus.

 

Ó Maria Imaculada, eu vos encomendo todos os que vos amam, especialmente aqueles que lerem este meu livro, e mais particularmente aqueles que tiverem a caridade de encomendar-me a vós. Senhora, dai-lhes a perseverança; fazei-os todos santos e levai-os assim a louvar-vos, todos j untos, no céu. Ó minha Mãe dulcíssima, é verdade que sou um pobre pecador, mas eu me glorio de amar-vos e espero de vós grandes coisas, entre outras, morrer em vosso amor. Espero que nas angústias de minha morte, quando o demônio me recordar meus pecados, primeiramente a Paixão de Jesus, e depois a vossa intercessão, me hão de confortar, para que eu saia desta miserável vida na graça de Deus, a fim de ir amá-lo e dar-vos graças, ó minha Mãe, por todos os séculos dos séculos. – Amém. Assim espero, assim seja.

 

Ó Virgem Senhora, dizei por nós a vosso Filho: Eles não têm vinho. Quão preclaro é o cálice desse vinho que inebria no amor divino! Esse amor nos faz esquecer o mundo; aquece-nos, e fortalece-nos, faz-nos indiferentes para tudo que é terreno (Autor da Salve-Rainha).

 

Vós sois o “campo bem-cheio”, cheio de virtudes e de graças. Surgistes qual lúcida e rubicunda aurora. Vencendo a culpa original, nascestes em plena luz da verdade, em plenos fulgores do amor. Nada conseguiu contra nós o inimigo do gênero humano, porque de vós estão pendentes mil escudos e todas as armas dos valentes. Não há virtude que não resplandeça em vós, e o que os santos possuíram repartido, possuís reunido (o mesmo autor).

 

Nossa Senhora, ó nossa Medianeira, nossa Advogada, recomendai-nos ao vosso Filho. Ó bendita, vós merecestes a graça de, por vosso intermédio, haver o Senhor se revestido de nossa fraqueza e indigência. Alcançai-nos por vossa intercessão que ele nos faça participantes de sua glória (Idem).

 

Ó bela rosa, mostrai a vossa misericórdia: j á que me amais tanto, fazei que meu coração se inflame de tal modo no vosso amor, que chegue a morrer por vós.

 

Doce Maria, esperança minha, sois aquela bendita estrela que guia ao porto: vós me guiareis ao céu.

 

Viva Jesus, Maria, José e Teresa!

 

Santo Afonso Maria de Ligório