MISTÉRIOS DA VIDA DE CRISTO
261 – Mistérios da vida de Cristo Nosso Senhor Nota. É de advertir, em todos os mistérios seguintes, que todas as palavras que estão inclusas em parêntesis [aspas], são do próprio Evangelho, e não as que estão fora; e, em cada mistério, a maior parte das vezes, se acharão três pontos, para neles se meditar e contemplar com maior facilidade.
262 – ANUNCIAÇÃO A NOSSA SENHORA. Escreve São Lucas no capítulo primeiro, 26-38 [Lc 1,28.31/ 36/ 38] O primeiro ponto é que o anjo S. Gabriel, saudando a nossa Senhora, lhe anunciou a concepção de Cristo nosso Senhor. «Entrando o anjo onde estava Maria, saudou-a dizendo-lhe: Avé, cheia de graça; conceberás em teu ventre e darás à luz um filho». Segundo: confirma o anjo o que disse a Nossa Senhora, dando como sinal a concepção de S. João Baptista, dizendo lhe: «E olha que Isabel, tua parenta, concebeu um filho em sua velhice». Terceiro: Respondeu ao anjo nossa Senhora: «Eis aqui a serva do Senhor, cumpra-se tudo em mim segundo a tua palavra».
263 – VISITAÇÃO DE NOSSA SENHORA A ISABEL Diz São Lucas no capítulo primeiro, 39-56 [Lc 1,41-42/ 46-55/ 56] Primeiro. Quando Nª. Senhora visitou Isabel, S. João Baptista, estando no ventre de sua mãe, sentiu a visita que fez Nª. Senhora, «Ao ouvir Isabel a saudação de Nª. Senhora alegrou-se o menino no seu seio; e, cheia do Espírito Santo, Isabel exclamou com um grande brado e disse : Bendita sejas tu entre as mulheres, e bendito seja o fruto do teu ventre». Segundo. Nª. Senhora canta o cântico, dizendo: «A minha alma engrandece o Senhor». Terceiro. «Maria ficou com Isabel quase três meses e, depois, regressou a sua casa».
264 – NASCIMENTO DE CRISTO NOSSO SENHOR Diz São Lucas no capítulo segundo, 1-14
[Lc 2,4-5/ 7/ 13-14] Primeiro. Nª. Senhora e seu esposo José vão de Nazaré a Belém: «Subiu José, de Galileia a Belém, para reconhecer sujeição a César, com Maria, sua esposa e mulher já grávida». Segundo. «Deu à luz seu Filho primogénito e envolveu-o com panos e pô-lo no presépio». Terceiro. «Apareceu uma multidão do exército celestial que dizia: Glória a Deus nas alturas».
265 – OS PASTORES Escreve São Lucas no capítulo segundo, 15-20 [Lc 2, 10-11/ 16/ 20] Primeiro. O nascimento de Cristo nosso Senhor manifesta-se aos pastores pelo anjo: «Anuncio-vos uma grande alegria, porque hoje nasceu o Salvador do mundo». Segundo. Os pastores vão a Belém: «Vieram com pressa e acharam Maria, José e o Menino posto no presépio». Terceiro. «Regressaram os pastores, glorificando e louvando ao Senhor».
266 – A CIRCUNCISÃO Escreve São Lucas no capítulo segundo,21 [Lc 2, 21] Primeiro. Circuncidaram o Menino Jesus. Segundo. «Foi-lhe posto o nome de Jesus, como lhe tinha chamado o Anjo, antes que fosse concebido no ventre materno». Terceiro. Restituem o Menino a sua Mãe que sentia compaixão pelo sangue que de seu filho saía.
267 – OS TRÊS REIS MAGOS Escreve São Mateus no capítulo segundo, 1-12 [Mt 2,2b/ 11bc/ 12] Primeiro. Os três reis magos, guiando-se pela estrela, vieram adorar a Jesus, dizendo: «Vimos a sua estrela no Oriente e viemos adorá-lo». Segundo. Adoraram-no e ofereceram-lhe presentes: «Prostrando-se por terra, adoraram-no e ofereceram-lhe presentes: oiro, incenso e mirra». Terceiro. «Enquanto dormiam, receberam aviso que não voltassem a Herodes; e, por outro caminho, regressaram à sua região».
268 – PURIFICAÇÃO DE NOSSA SENHORA E APRESENTAÇÃO DO MENINO JESUS Escreve São Lucas no capítulo segundo,21-40 [Lc 2,22-24/ 27-29/ 38] Primeiro. Trazem o Menino Jesus ao templo, para ser apresentado ao Senhor como primogénito, e oferecem por ele «um par de rolas ou dois pombinhos». Segundo. Simeão, vindo ao Templo, «tomou-o em seus braços», dizendo: «Agora, Senhor, deixa [partir] o teu servo em paz». Terceiro. Ana, «vindo depois, aclamava o Senhor e falava dele a todos os que esperavam a redenção de Israel».
269 – A FUGA PARA O EGIPTO Escreve São Mateus no capítulo segundo, 13-18 [Mt 2,16.13/ 14/ 15] Primeiro. Herodes queria matar ao Menino Jesus, e assim matou os inocentes; e antes da morte deles, avisou o anjo a José que fugisse para o Egipto: «Levanta-te e toma o Menino e a sua Mãe, e foge para o Egipto». Segundo. Partiu para o Egipto: «e, ele, levantando-se, de noite, partiu para o Egipto». Terceiro. Esteve lá até à morte de Herodes.
270 – COMO CRISTO NOSSO SENHOR VOLTOU DO EGIPTO Escreve São Mateus no capítulo segundo, 19-23 [Mt 2,19b-20/ 21/ 22-23] Primeiro. O anjo avisa José para que volte a Israel: «Levanta-te e toma o Menino e sua Mãe e vai para a terra de Israel». Segundo. Levantando-se, veio para a terra de Israel. Terceiro. Porque Arquelau, filho de Herodes, reinava na Judeia, retirou-se para Nazaré.
271 – A VIDA DE CRISTO NOSSO SENHOR DESDE OS DOZE ANOS ATÉ AOS TRINTA Escreve São Lucas no capítulo segundo, 50-52 [Lc 2,51-52/ Mc 6, 2b-3] Primeiro. Era obediente a seus pais. «Progredia em sabedoria, idade e graça». Segundo. Parece que exercia a arte de carpinteiro, como parece indicar S. Marcos no capítulo sexto: «Porventura não é este o carpinteiro?».
272 – A VINDA DE CRISTO AO TEMPLO, QUANDO TINHA 12 ANOS Escreve São Lucas no capítulo segundo, 41-50 [Lc 2,42/ 43b/ 46,48,49b] Primeiro. Cristo nosso Senhor, de doze anos de idade, subiu de Nazaré a Jerusalém. Segundo. Cristo nosso Senhor ficou em Jerusalém e não o souberam seus pais. Terceiro. Passados três dias, acharam-no, disputando no templo, e sentado no meio dos doutores; e, perguntando-lhe seus pais onde tinha estado, respondeu: «Não sabeis que me convém estar nas coisas que são de meu Pai?».
273 – COMO CRISTO FOI BAPTIZADO Escreve São Mateus no capítulo terceiro,13-17 [Mc 1,9-Mt 3,13/ Mc 1,9b-Mt 3,14-15/ Mt 3,16-17-Mc 1,10-11] Primeiro. Cristo, nosso Senhor, depois de haver-se despedido de sua bendita Mãe, veio desde Nazaré ao rio Jordão, onde estava S. João Baptista. Segundo. S. João baptizou a Cristo nosso Senhor, e querendo-se escusar, reputando-se indigno de o baptizar, disse-lhe Cristo: «Faz isto, por agora, porque assim é necessário que cumpramos toda a justiça.». Terceiro. «Veio o Espirito Santo e a voz do Pai desde o céu, afirmando: «Este é meu Filho amado, do qual estou muito satisfeito».
274 – COMO CRISTO FOI TENTADO Escreve São Lucas no capítulo quarto,1-13 e Mateus no capítulo quarto, 1-11 [Lc 4,1-2b-Mt 4,1-2/ Lc 4,3-Mt 4,6.9/ Mt 4,11b] Primeiro. Depois de ter sido baptizado, foi ao deserto, onde jejuou, quarenta dias e quarenta noites. Segundo. Foi tentado pelo inimigo, três vezes: «Chegando-se a ele o tentador disse-lhe: Se tu és o Filho de Deus, manda que estas pedras se tornem em pão; deita-te daqui abaixo; tudo isto que vês te darei se, prostrado em terra, me adorares». Terceiro. «Vieram os anjos e serviram-no».
275 – O CHAMAMENTO DOS APÓSTOLOS [Vita Christi/ Jo 1,43– Mt 9,9/ Vita Christi] Primeiro. Três vezes parece que foram chamados S. Pedro e S. André. A primeira a um certo conhecimento de Jesus. O que consta por S. João no capítulo primeiro [Io 1, 35-42]. A segunda a seguirem dalguma forma a Cristo, com intenção de voltarem a possuir o que tinham deixado, como diz S. Lucas no capítulo quinto [Lc 5, 1-11; 27-32]. A terceira, a seguirem para sempre a Cristo nosso Senhor: S. Mateus no capítulo quarto [Mt 4, 18-20] e S. Marcos no primeiro [1, 16-20]. Segundo. Chamou a Filipe, como está no primeiro capítulo de S. João [Jo 1, 43-44] e a Mateus, como o próprio diz no capítulo nono [Mt 9, 9]. Terceiro. Chamou aos outros apóstolos, de cuja vocação especial não faz menção o evangelho. E também três outras coisas se hão de considerar: A primeira, como os apóstolos eram de rude e baixa condição; a segunda, a dignidade à qual foram tão suavemente chamados; a terceira, os dons e graças pelos quais foram elevados acima de todos os Padres do Novo e Antigo Testamento.
276 – O PRIMEIRO MILAGRE [DE JESUS] REALIZADO NAS BODAS DE CANÁ [DA] GALILEIA Escreve São João no capítulo segundo, 1-12 [Jo 2,2/ 3.5/ 7-8.11] Primeiro. Foi convidado Cristo nosso Senhor com seus discípulos para as bodas. Segundo. A Mãe declara ao Filho a falta de vinho, dizendo: «não têm vinho»; e mandou aos serventes : «Fazei tudo o que ele vos disser». Terceiro. «Converteu a água em vinho, e manifestou a sua glória, e creram nele seus discípulos».
277 – COMO CRISTO LANÇOU FORA DO TEMPLO OS QUE VENDIAM Escreve São João no capítulo segundo, 13-25 [Jo 2,15/ 15b/ 16] Primeiro. Lançou fora do templo todos os que vendiam, com um açoite feito de cordas. Segundo. Derrubou as mesas e dinheiros dos banqueiros ricos que estavam no templo. Terceiro. Aos pobres que vendiam pombas, mansamente disse: «Tirai estas coisas daqui e não queirais fazer da minha casa, casa de comércio».
278 – O SERMÃO QUE FEZ CRISTO NO MONTE Escreve São Mateus no capítulo quinto, 1-48 [Mt 5,3-6.8-10/ Mt 5,16/ Mt 5,17.21.27.33.34-lc 6,27] Primeiro. A seus amados discípulos fala, à parte, das oito bem-aventuranças: “Bem-aventurados os pobres em espírito, os mansos, os misericordiosos, os que choram, os que passam fome e sede pela justiça, os limpos de coração, os pacíficos e os que padecem perseguições». Segundo. Exorta-os a que usem bem de seus talentos: «Assim brilhe a vossa luz diante dos homens, para que vejam vossas boas obras e glorifiquem vosso Pai que está nos céus». Terceiro. Mostra-se não transgressor da lei, mas cumpridor, declarando o preceito de não matar, não fornicar, não perjurar e de amar os inimigos: «Eu vos digo que ameis a vossos inimigos e façais bem aos que vos odeiam».
279 – COMO CRISTO NOSSO SENHOR FEZ ACALMAR A TEMPESTADE DO MAR
Escreve São Mateus no capítulo oitavo, 23-27 [Mt 8,24/ 25-26/ 26b-27] Primeiro. Estando Cristo nosso Senhor dormindo no mar, levantou-se uma grande tempestade. Segundo. Atemorizados, despertaram-no os seus discípulos, aos quais repreende, pela pouca fé que tinham, dizendo lhes: «Porque temeis, homens de pouca fé?» Terceiro. Mandou aos ventos e ao mar que acalmassem e, assim, acalmando, se fez o mar tranquilo, do que se maravilharam os homens, dizendo: «Quem é este a quem o vento e o mar obedecem?»
280 – COMO CRISTO ANDAVA SOBRE O MAR Escreve São Mateus no capítulo 14, 24-33 [Mt 14, 22-23/ 24-26/ 27-32] Primeiro. Estando Cristo nosso Senhor no monte, mandou que seus discípulos fossem para a barca e, despedida a turba, começou a fazer oração sozinho. Segundo. A barca era batida pelas ondas; Jesus dirigiu-se para ela, andando sobre a água, e os discípulos pensavam que fosse um fantasma. Terceiro. Dizendo-lhes Cristo: «Sou eu, não temais», S. Pedro, por sua ordem, foi ter com ele, andando sobre as águas; e, duvidando, começou a afundar-se; mas Cristo nosso Senhor salvou-o e repreendeu-o pela sua pouca fé e, depois, entrando na barca, cessou o vento.
281 – COMO OS APÓSTOLOS FORAM ENVIADOS A PREGAR Escreve São Mateus no capítulo décimo, 1-15 [Mt 10,1/ 16/ 8c-9.7] Primeiro. Chama Cristo a seus amados discípulos e dá-lhes poder de expulsar os demónios dos corpos humanos e curar todas as enfermidades. Segundo. Ensina-lhes a prudência e a paciência: «Olhai que vos envio como ovelhas para o meio de lobos; portanto, sede prudentes como serpentes e simples como pombas». Terceiro. Ensina-lhes o modo como hão de ir: «Não queirais possuir ouro nem prata; o que recebestes gratuitamente, dai-o gratuitamente». E deu-lhes a matéria da pregação: «Quando fordes, pregareis, dizendo: Já está próximo o reino dos céus».
282 – A CONVERSÃO DA MADALENA Escreve São Lucas no capítulo sétimo, 36-50 [Lc 7,37/ 38/ 39ss.47.50] Primeiro. Entra a Madalena, trazendo um vaso de alabastro cheio de unguento, em casa do fariseu onde está Cristo nosso Senhor, sentado à mesa. Segundo. Estando detrás do Senhor, mesmo a seus pés, com lágrimas os começou a banhar e, com os cabelos de sua cabeça, os enxugava, e os beijava, e com perfume os ungia. Terceiro. Como o fariseu acusasse Madalena, fala Cristo em sua defesa, dizendo: «Muitos pecados lhe são perdoados, porque amou muito». E disse à mulher: «a tua fé te salvou, vai-te em paz».
283 – COMO CRISTO NOSSO SENHOR DEU DE COMER A CINCO MIL HOMENS Escreve São Mateus no capítulo 14, 13-23 [Mt 14,15/ 18-19/ 20] Primeiro. Os discípulos, como já se fizesse tarde, rogam a Cristo que despeça a multidão de homens que com ele estavam. Segundo. Cristo, nosso Senhor, mandou que lhe trouxessem pães, e ordenou que se sentassem à mesa, e abençoou e partiu e deu a seus discípulos os pães, e os discípulos à multidão. Terceiro. «Comeram e fartaram-se e sobraram doze cestos».
284 – A TRANSFIGURAÇÃO DE CRISTO Escreve São Mateus no capítulo 17, 1-13 [Mt 17,1-2/ 3/ 4-9] Primeiro. Tomando em sua companhia Cristo nosso Senhor a seus amados discípulos Pedro, Tiago e João, transfigurou-se, e a sua face resplandecia como o sol, e os seus vestidos como a neve. Segundo. Falava com Moisés e Elias. Terceiro. Dizendo S. Pedro que fizessem três tendas, soou uma voz do céu que dizia: «Este é o meu filho muito amado, ouvi-o». Ao ouvirem esta voz, os discípulos, com medo, caíram, com as faces em terra, e Cristo nosso Senhor tocou-os e disse-lhes: «Levantai-vos e não temais; a ninguém digais esta visão, até que o Filho do Homem ressuscite [dos mortos]».
285 – A RESSURREIÇÃO DE LÁZARO João, capítulo 11,1-44 [Jo 11,3-4/ 25/ 35.41-42.43] Primeiro. Marta e Maria fazem saber, a Cristo nosso Senhor, a enfermidade de Lázaro. Depois de o ter sabido, deteve se [Jesus] ainda dois dias, para que o milagre fosse mais evidente. Segundo. Antes de o ressuscitar, pede a uma e a outra que creiam, dizendo: «Eu sou a ressurreição e a vida. O que crê em mim, ainda que esteja morto, viverá». Terceiro. Ressuscita-o, depois de ter chorado e feito oração; e a maneira de o ressuscitar foi ordenando: «Lázaro, vem para fora».
286 – A CEIA EM BETÂNIA Mateus, capítulo 26 [Mt 26,6-Jo 12,1/ Mt 26,7/ Jo 12,4-Mt 26,8.10] Primeiro. O Senhor ceia em casa de Simão, o leproso, juntamente com Lázaro. Segundo. Maria derrama o perfume sobre a cabeça de Cristo. Terceiro. Judas murmura, dizendo: «Para quê este desperdício de perfume ?" Mas Jesus defende, outra vez, Madalena, dizendo: «Porque molestais esta mulher por ela Ter feito uma boa obra para comigo ? ».
287 – DOMINGO DE RAMOS Mateus, capítulo 21,1-11 [Mt 21,2-3 / 7 / 8-9] Primeiro. O Senhor manda buscar a jumenta e o jumentinho, dizendo: «Desatai-os e trazei-mos; e, se alguém vos disser alguma coisa, respondei que o Senhor precisa deles, e logo os deixará». Segundo. Montou sobre a jumenta, coberta com os vestidos dos apóstolos. Terceiro. Saem a recebê-lo, estendendo sobre o caminho os seus vestidos e ramos de árvores, dizendo: «Salva-nos, Filho de David! Bendito o que vem em nome do Senhor. Salva-nos no mais alto dos Céus»!
288 – A PREGAÇÃO NO TEMPLO Lucas, capítulo 19 [Vita Christi, Liturgia, Mc 11,11b-19; Mt 21,17; Lc 19,47; 21,37] Primeiro. Estava, cada dia, ensinando no templo. Segundo. Acabada a pregação, porque não havia quem o recebesse em Jerusalém, voltava a Betânea.
289 – A CEIA Mateus 26, João 13,1-17 [Mt 26,21; Mc 14,18/ Jo 13,1-15/ Jo 13,1b; Mt 26,26-28; Jo 13,27] Primeiro. Comeu o cordeiro pascal com os seus doze apóstolos, aos quais predisse a sua morte: «Em verdade vos digo que um de vós me há-de vender». Segundo. Lavou os pés aos discípulos, até os de Judas, começando por S. Pedro. Este, considerando a majestade do Senhor e a sua própria baixeza, não querendo consentir, dizia: «Senhor, tu lavas-me a mim os pés ?»; mas S. Pedro não sabia que naquilo dava [Jesus] exemplo de humildade, e por isso disse: «Eu dei-vos o exemplo, para que façais como eu fiz». Terceiro. Instituiu o sacratíssimo Sacrifício da Eucaristia, como grandíssimo sinal do seu amor, dizendo: «Tomai e comei». Acabada a ceia, Judas sai para vender a Cristo nosso Senhor.
290 – MISTÉRIOS PASSADOS DESDE A CEIA ATÉ AO HORTO INCLUSIVE Mateus, capítulo 26 e Marcos, capítulo 14 [Mt 26,30.36; Mc 14, 26.32 / Mt 26,37.39b; Lc 22,44 / Mt 26,38; Mc 14,34; Lc 22,44] Primeiro. O Senhor, acabada a ceia e cantando o hino, foi para o monte das Oliveiras com os seus discípulos, cheios de medo e, deixando os oito em Getsemani, disse: «Sentai-vos aqui, enquanto eu vou ali orar». Segundo. Acompanhado de S. Pedro, S. Tiago e S. João, orou três vezes, ao Senhor, dizendo: «Pai, se se pode fazer, passe de mim este cálice; contudo não se faça a minha vontade, mas a tua». E, estando em agonia, orava mais longamente. Terceiro. Chegou a tanto temor que dizia: «Triste está a minha alma até à morte». E suou sangue tão copiosamente que diz S. Lucas: «Seu suor era como gotas de sangue que corriam em terra», o que já supõe seus vestidos estarem cheios de sangue.
291 – MISTÉRIOS PASSADOS DESDE O HORTO ATÉ A CASA DE ANÁS, INCLUSIVE Mateus, 26; Lucas 22; Marcos,15 [Mt 26,49.55; Mc 14,45.48-49; Jo 18,4-6 / Jo 18,10-11; Mt 26,52; Lc 22,51 / Mt 26,56; Mc 14,50; Jo 18,13.17.22] Primeiro. O Senhor deixa-se beijar por Judas, e prender como um ladrão. Aos que o prendiam, disse: «Saístes para prender-me como a um ladrão, com paus e armas, quando, cada dia, eu estava convosco no templo, ensinando, e não prendestes». E, dizendo: «A quem buscais?», caíram em terra os inimigos. Segundo. S. Pedro feriu um servo do Pontífice; mas o manso Senhor disse-lhe: «Mete a tua espada no seu lugar»; e sarou a ferida do servo. Terceiro. Desamparado dos seus discípulos, foi levado a Anás, onde S. Pedro, que o tinha seguido de longe, o negou uma vez, e a Cristo deram uma bofetada, dizendo-lhe: «É assim que respondes ao Pontífice ?»
292 – MISTÉRIOS PASSADOS DESDE A CASA DE ANÁS ATÉ À CASA DE CAIFÁS INCLUSIVE [Jo 18,24.26-27; Lc 22,61-62 / – / Lc 22,63-64; Mt 26,67,68; Mc 14,65; Lc 22,64-65] Primeiro. Levam-no atado desde a casa de Anás à casa de Caifás, onde S. Pedro o negou duas vezes e, olhado pelo Senhor, saiu para fora e chorou amargamente. Segundo. Esteve Jesus, toda aquela noite, atado. Terceiro. Além disso, os que o tinham preso burlavam dele, e batiam-lhe, e cobriam-lhe a cara, e davam-lhe bofetadas, e perguntavam-lhe: «Profetiza-nos quem é o que te bateu». E blasfemavam contra ele, dizendo coisas semelhantes.
293 – MISTÉRIOS PASSADOS DESDE A CASA DE CAIFÁS ATÉ À DE PILATOS INCLUSIVE Mateus, 26; Lucas, 23; Marcos, 15 [Lc 23,1; Mt 27,2; Lc 23,2 / Jo 18,38b; Lc 23,4 / Jo 18,40] Primeiro. Toda a multidão dos Judeus o leva a Pilatos e diante dele o acusa, dizendo: «Encontrámos a este que deitava a perder o nosso povo e proibia pagar tributo a César». Segundo. Depois de Pilatos o ter, uma e outra vez, examinado, Pilatos disse: «Eu não acho culpa nenhuma». Terceiro. Foi-lhe preferido Barrabás, um ladrão: «Gritaram todos dizendo: Não soltes a este, mas a Barrabás».
294 – MISTÉRIOS PASSADOS DESDE A CASA DE PILATOS ATÉ À DE HERODES, [Lc 23,7 / 8-10 / 11] Primeiro. Pilatos enviou Jesus, galileu, a Herodes, tetrarca da Galileia Segundo. Herodes, curioso, interrogou-o longamente; e ele nenhuma coisa lhe respondia, ainda que os escribas e os sacerdotes o acusavam constantemente. Terceiro. Herodes, com a sua guarda, desprezou-o, vestindo-o com uma veste branca.
295 – MISTÉRIOS PASSADOS DESDE A CASA DE HERODES À DE PILATOS Mateus, 26; Lucas, 23; Marcos, 15; João, 19 [Lc 23,11b-12 / Jo 19,1-3 / Jo 19,5-6a] Primeiro. Herodes torna-o a enviar a Pilatos, pelo que se fizeram amigos, pois antes eram inimigos. Segundo. Tomou Pilatos a Jesus e açoitou-o; e os soldados fizeram uma coroa de espinhos e puseram-lha sobre a cabeça e vestiram-no de púrpura e aproximavam-se dele e diziam: «Deus te salve, rei dos Judeus»; e davam-lhe bofetadas. Terceiro. Trouxe-o para fora à presença de todos: «Saiu pois Jesus fora, coroado de espinhos e ves-tido de púrpura. E disse-lhes Pilatos: "Eis aqui o homem». E, logo que o viram, os Pontífices davam gritos, dizendo: «Crucifica-O, crucifica-O».
296 – MISTÉRIOS PASSADOS DESDE A CASA DE PILATOS ATÉ À CRUZ INCLUSIVE João 19 [Jo 19,13-16 / Mt 27,32; Mc 15,21; Lc 22,26 / Lc 23,33b; Jo 19,18.19] Primeiro. Pilatos, sentado como juiz, entregou-lhes Jesus, para que o crucificassem, depois de os Judeus o haverem negado por seu rei, dizendo «Não temos outro rei senão César». Segundo. Levava a cruz às costas, e não a podendo levar, foi constrangido Simão Cirineu para que a levasse atrás de Jesus. Terceiro. Crucificaram-no no meio de dois ladrões e puseram esta inscrição: «Jesus Nazareno, rei dos Judeus».
297 – MISTÉRIOS PASSADOS NA CRUZ, João, 19, 23-27 [Lc 23,34.43; Jo 19,26-27.28; Mc 15,34; Mt 27,46; Jo 19,30; Lc 23,46; Mt 27,51-52; Mc 15,38; Lc 23,45 / Mt 27,51-52 / Mt 27,39-40-Mc 15,33-36; Jo 19,23-24-Mt 27,35; Jo 19,34] Primeiro. Disse sete palavras na cruz: Rogou pelos que o crucificavam; perdoou ao ladrão; encomendou a S. João a sua Mãe, e à Mãe a S. João; disse com voz alta: «Tenho sede», e deram-lhe fel e vinagre; disse que estava desamparado; disse: «Tudo está consumado»; disse: «Pai em tuas encomendo o meu espírito». Segundo. O sol ficou escurecido, as pedras quebradas, as sepulturas abertas, o véu do templo rasgado em duas partes de cima abaixo. Terceiro. Blasfemavam contra ele, dizendo: «Tu que destróis o templo de Deus, baixa da cruz»; foram divididos os seus vestidos; ferido com a lança o seu lado, manou água e sangue.
298 – MISTÉRIOS PASSADOS DESDE A CRUZ ATÉ AO SEPULCRO INCLUSIVE No mesmo capítulo [Jo 19,38-39 / Jo 19,40-42 / Mt 27,65-66] Primeiro. Foi tirado da cruz por José e Nicodemos, em presença de sua Mãe dolorosa. Segundo. Foi levado o corpo ao sepulcro e ungido e sepultado. Terceiro. Foram postos guardas.
299 – A RESSURREIÇÃO DE CRISTO NOSSO SENHOR. SUA PRIMEIRA APARIÇÃO [Vita Christi] Primeiro. Apareceu à Virgem Maria; o que, ainda que se não diga na Escritura, se tem como dito, ao dizer que apareceu a tantos outros; porque a Escritura supõe que temos entendimento, como está escrito: «Também vós estais sem entendimento?».
300 – SEGUNDA APARIÇÃO. Marcos, capítulo 16, 1-11 [Vita Christi ; Mc 16,1-3 / Mc 16,4.6b / Mc 16,9-Jo 20,11-18] Primeiro. Vão, muito de manhã, Maria Madalena, Maria, mãe de Tiago e Salomé ao sepulcro, dizendo: «Quem nos levantará a pedra da porta do sepulcro?» Segundo. Vêem a pedra levantada e o anjo que diz: «Buscais Jesus de Nazaré; já ressuscitou, não está aqui». Terceiro. Apareceu a Maria que ficou perto do sepulcro, depois de idas as outras.
301 – TERCEIRA APARIÇÃO São Mateus, último capítulo [Vita Christi; Mt 28,8 / Mt 28,9 / Mt 28,10] Primeiro. Saem as Marias do sepulcro, com temor e grande gozo, querendo anunciar aos discípulos a ressurreição do Senhor. Segundo. Cristo nosso Senhor apareceu-lhes, no caminho, dizendo-lhes: «Deus vos salve»; e elas aproximaram-se, prostraram-se a seus pés e adoraram-no. Terceiro. Jesus disse-lhes: «Não temais, ide e dizei a meus irmãos que vão para a Galileia, porque ali me verão»
302 – QUARTA APARIÇÃO. Lucas, último capítulo [Vita Christi; Lc 24,9-12.34; Jo 20,1-10] Primeiro. Tendo ouvido das mulheres que Cristo estava ressuscitado, foi S. Pedro depressa ao sepulcro. Segundo. Entrando no sepulcro, viu só os panos com que fora coberto o corpo de Cristo nosso Senhor, e mais nada. Terceiro. Pensando S. Pedro nestas coisas, apareceu-lhe Cristo e por isso os apóstolos diziam: «Verdadeiramente o Senhor ressuscitou, e apareceu a Simão».
303 – QUINTA APARIÇÃO. No último capítulo de São Lucas [Vita Christi; Lc 24,13-24 / 25-26 / 29-33.35] Primeiro. Aparece aos discípulos que iam para Emaús, falando de Cristo. Segundo. Repreende-os, mostrando pelas Escrituras que Cristo tinha de morrer e ressuscitar: «Ó ignorantes e tardos de coração para crer tudo o que disseram os profetas! Não era necessário que Cristo padecesse e assim entrasse na sua glória?» Terceiro. A pedido deles, detém-se ali, e esteve com eles, até que, ao dar-lhes a comunhão, desapareceu. E eles, regressando, disseram aos discípulos como o tinham conhecido na comunhão.
304 – SEXTA APARIÇÃO João, capítulo 20 [Vita Christi; cf. Lc 24,33ss / Jo 20,19 / 22-23] Primeiro. Os discípulos estavam reunidos «por medo dos Judeus», excepto Tomé. Segundo. Apareceu-lhes Jesus, estando as portas fechadas; e, estando no meio deles, disse: «A paz esteja convosco». Terceiro. Dá-lhes o Espírito Santo, dizendo-lhes: «Recebei o Espírito Santo; àqueles a quem perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados».
305 – SÉTIMA APARIÇÃO João, 20,24-29 [Vita Christi; Jo 20,24-25 / 26-27 / 28-29] Primeiro. São Tomé, incrédulo, porque estava ausente na aparição precedente, disse: «Se não o vir não acreditarei». Segundo. Aparece-lhes Jesus, daí a oito dias, estando as portas fechadas, e diz a S. Tomé: «Mete aqui o teu dedo e vê a verdade, e não queiras ser incrédulo, mas fiel». Terceiro. S. Tomé acreditou, dizendo: «Meu Senhor e meu Deus». Disse-lhe Cristo: «Bem-aventurados os que não viram e creram».
306 – OITAVA APARIÇÃO João, último capítulo [Vita Christi; Jo 21,1-6 / 7 / 9-10.12-13.15-17] Primeiro. Jesus aparece a sete dos seus discípulos que estavam pescando, os quais, por toda a noite, não tinham apanhado nada, e lançando a rede, por ordem de Jesus, «não podiam tirá-la, pela grande quantidade de peixes». Segundo. Por este milagre, S. João reconheceu Jesus, e disse a S. Pedro: «É o Senhor». Pedro deitou-se ao mar, e veio ter com Cristo. Terceiro. Deu-lhes a comer parte de um peixe assado, e um favo de mel; e encomendou as ovelhas a S. Pedro, examinando-o, primeiro, três vezes, sobre a caridade, e disse-lhe: «apascenta as minhas ovelhas».
307 – NONA APARIÇÃO Mateus, último capítulo [Vita Christi; Mt 28,16 / 17.18 / 19] Primeiro. Os discípulos, por ordem do Senhor, vão ao monte Tabor. Segundo. Cristo aparece-lhes e diz: «Foi-me dado todo o poder na céu e na terra». Terceiro. Enviou-os por todo o mundo a pregar, dizendo: «Ide e ensinai todas as gentes, baptizando-as em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo»
308 – DÉCIMA APARIÇÃO Primeira epístola aos Coríntios, capítulo 15,6 [1Cor 15,6a] «Depois foi visto por mais de quinhentos irmãos juntos».
309 – UNDÉCIMA APARIÇÃO Primeira epístola aos Coríntios, capítulo 15,7 [1Cor 15,7a] «Apareceu depois a São Tiago».
310 – DUODÉCIMA APARIÇÃO [Vita Christi] Apareceu a José de Arimateia, como piamente se medita e se lê na vida dos Santos.
311 – DÉCIMA TERCEIRA APARIÇÃO Primeira epístola aos Coríntios, capítulo 15,8 [1Cor 15,8/ Credo / 1Cor 15,7] Apareceu a S. Paulo, depois da Ascensão: «Finalmente apareceu-me a mim como a um aborto». Apareceu também em alma aos Santos Padres do Limbo; e, depois de os ter de lá tirado, e tornado a tomar o seu corpo, apareceu, muitas vezes, aos discípulos e conversava com eles.
312 – ASCENSÃO DE CRISTO NOSSO SENHOR Actos, 1,1-12 [Vita Christi; Act 1,3-4-Lc 24,49 / Lc 24,50-Act 1,9 / Act 1,10,11] Primeiro. Depois de ter aparecido aos seus Apóstolos, durante quarenta dias, dando-lhes muitas provas e sinais e falando-lhes do Reino de Deus, mandou-lhes que em Jerusalém esperassem o Espírito Santo prometido. Segundo. Levou-os ao monte das Oliveiras e, em presença deles, elevou-se, e uma nuvem fê-lo desaparecer aos seus olhos. Terceiro. Estando eles a olhar para o céu, dizem-lhes os anjos: «Homens da Galileia, porque estais a olhar para o céu? Este Jesus que, de vossos olhos é levado para o céu, virá do mesmo modo que o vistes ir ao céu».