CULTURA E DESENVOLVIMENTO DA ÁRVORE DA VIDA OU SEJA, MODO DE FAZER VIVER E REINAR MARIA EM NÓS

CULTURA E DESENVOLVIMENTO DA ÁRVORE DA VIDA OU SEJA, MODO DE FAZER VIVER E REINAR MARIA EM NÓS

 

Compreendestes, ó alma predestinada por meio do Espírito Santo, o que te disse até aqui? Então agradece ao Senhor, pois que se trata de um segredo quase completamente desconhecido no mundo. Se tu encontraste o tesouro escondido no campo de Maria, a pedra preciosa de que fala o Evangelho, agora deves vender tudo para o comprar, deves fazer o sacrifício completo de ti mesma entre as mãos de Maria e perder-te alegremente nela para somente lá encontrares Deus.

 

Se o Espírito Santo plantou no teu coração a verdadeira árvore da vida, que é a devoção que expliquei, põe todo o empenho em cultivá-la, para que a seu tempo dê fruto. Esta devoção é o grão de mostarda do Evangelho que, sendo embora o mais pequeno dos grãos, chega a ser muito grande, tanto assim que as aves do Céu, ou seja, os predestinados, vão fazer os ninhos entre os seus ramos, lá repousam durante os grandes calores e lá encontram refúgio contra as feras.

 

Eis aqui, ó alma predestinada, a maneira de a cultivares.

 

1.º) Uma vez plantada num coração fiel, esta árvore prefere estar exposta aos ventos, sem qualquer apoio humano. Sendo uma coisa divina, esta árvore não precisa de nenhuma criatura, que lhe poderia impedir estender os ramos para Deus, seu principio. Assim, também ninguém se deve apoiar na própria indústria e capacidade natural, nem no crédito e autoridade dos homens, mas deve recorrer unicamente a Maria e apoiar-se no seu auxílio.

 

 

2.º) A alma onde esta árvore tomou raízes, como um bom jardineiro, deve guardá-la continuamente porque ela, viva como é, e destinada a produzir frutos de vida, exige que se cultive e faça crescer sob o olhar ou contemplação da alma. Eis o encargo da alma que quer alcançar verdadeiramente a perfeição: que pense nele com frequência de maneira a ser esta a sua principal ocupação.

 

 

3.º) É preciso arrancar e aniquilar os espinhos e os cardos, que, crescendo, poderiam sufocar esta árvore e impedir-lhe dar fruto... e isto significa que é preciso estar sempre atentos em despedaçar e desprezar com a mortificação e a renúncia de si próprio, todos os prazeres inúteis e vãs ocupações com as criaturas; em outros termos: crucificar a carne, observar o silêncio e mortificar os sentidos.

 

 

4.º) Providenciar para que os bichos e os parasitas não danifiquem a árvore. Os parasitas que comem as folhas verdes e destroem toda a mais bela esperança de frutos são o amor próprio e o apego ás comodidades, pois amor próprio e amor à Virgem são duas coisas que jamais poderão conciliar.

 

 

5.º) Não aproximar dela os animais que são os pecados, que, ao seu contacto, poderiam condenar à morte a árvore da vida.

 

 

6.º) Regá-la com frequência, cumprindo com fervor os exercícios da piedade, confissões, comunhões e outras piedosa práticas públicas e privadas, sem as quais deixaria de dar frutos.

 

 

7.º) Não é preciso espantar-se se o vento a agita e sacode, porque é necessário que o vendaval das tentações tente arrancá-la, e os nevoeiros e gelos a circundem para a devastarem; quer dizer que esta devoção à Santíssima Virgem será inevitavelmente atacada e contradita, mas bastará ser perseverantes em cultivá-la para nada se recear.

 

Se tu cultivares assim a árvore da vida agora plantada em ti pelo Espírito Santo, eu asseguro-te, ó alma predestinada, que em pouco tempo crescerá tanto que as aves do Céu virão a povoá-la e alcançará um desenvolvimento tal que a seu tempo não deixará de dar o fruto da graça, ou seja, o amabilíssimo Jesus, que sempre foi e sempre será o único fruto de Maria.

 

Feliz da alma em que foi plantada a árvore da vida, Maria; mais feliz aquela em que pôde crescer e florir; felicíssima aquela em que pôde dar o seu fruto: mas feliz sobretudo aquela que goza deste fruto e o conserva até à morte e pelos séculos dos séculos. Amen!

 

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