EXCELÊNCIA DA SANTA ESCRAVIDÃO PROVENIENTE DO FAZER PASSAR PELA MEDITAÇÃO DE MARIA TODA A VIDA DA ALMA

EXCELÊNCIA DA SANTA ESCRAVIDÃO PROVENIENTE DO FAZER PASSAR PELA MEDITAÇÃO DE MARIA TODA A VIDA DA ALMA

 

Ser-me-iam necessárias muitas luzes do alto para descrever perfeitamente a excelência desta devoção; mas roçarei somente como de voo alguns pontos.

 

 

Consagrar-se desta maneira a Jesus por meio de Maria é imitar Deus Pai, que nos deu o Seu Filho exatamente por meio de Maria; é imitar Deus Filho, que veio a nós por Maria, e, «dando-nos o exemplo para nós fazer-mos como Ele fez», nos convida a ir a Ele pelo mesmo caminho por onde também quis passar, que é Maria Santíssima; é imitar o Espírito Santo, que não comunica as suas graças e dons senão por Maria: «Não é justo», pergunta São Bernardo, «que a graça volte ao seu autor pelo mesmo canal por onde nos foi transmitida?»

 

 

Ir deste modo a Jesus por Maria redunda em honra do próprio Jesus Cristo, porque damos assim a compreender que nós somos indignos, por causa dos nossos pecados, de nos aproximarmos diretamente e sozinhos da sua infinita santidade e nos é necessário que a Sua Mãe Santíssima faça de nossa advogada e mediadora junto d´Ele, nosso mediador. Assim aproximamos-nos de Jesus como nosso irmão e mediador ao mesmo tempo, e humilhamo-nos diante d´Ele como diante do nosso Deus e juiz; numa palavra, praticamos a humildade, que é a virtude que cativa sempre o coração de Deus.

 

 

Consagra-se a Jesus por Maria equivale a pôr nas mãos de Maria as nossas boas obras que, porquanto pareçam boas, muitas vezes são muito manchadas e indignas para que Deus, diante de Quem não são puras as estrelas, as olhe e aceite. Por isso nós pedimos à nossa boa Mãe e Senhora a fim de que, recebendo o nosso pobre dom, o purifique, o santifique, o acresça e o embeleze de maneira a tornar-se digno de Deus. Os méritos da nossa pobre alma diante do Pai de família que é Deus são ainda menos do que o que poderia representar aos olhos de um rei a fruta desprezível que um pobre colono apresentasse para pagar o seu aluguer. Mas o que é que faria este homem se fosse atilado ou gozasse ao mesmo tempo dos favores da rainha? Para mostrar a sua benevolência ao camponês e ao mesmo tempo o respeito ao rei, ela extrairia o que de defeituoso ou mau houvesse naquela fruta, pô-la-ia numa salva de ouro, circundando-a de flores. Assim, o rei aceitá-la-ia sem dificuldade, antes, com prazer das mãos da rainha, que quer bem aquele camponês.

 

Modicum quid offerre desideras? Manibus Mariae tradere cura, si non vis sustinere repulsam. Queres oferecer qualquer pequenina coisa? - pergunta São Bernardo. - Procura apresentá-la pelas mãos de Maria, se não queres receber uma recusa.

 

Oh, Senhor, como tudo o que fazemos é pouco! Nós, porém, com esta devoção pomo-lo nas mãos de Maria. E uma vez que lhe tenhamos dado tudo, despojando-nos em sua honra de quanto podemos dispor, ela infinitamente mais generosa, por um ovo – como se diz – dar-nos-á um boi; ela dar-se-nos-á inteiramente com os seus méritos e virtudes; colocará os nossos dons na salva de ouro da sua caridade, e como fez Rebeca com Jacob, revestir-nos-á com os ricos e belos vestidos do seu primogénito e unigénito Jesus, ou seja, com os Seus méritos que estão à sua disposição. E assim, como escravos e criados seus, depois de nos havermos despojado de tudo em sua honra, teremos o dobro de vestes, ou seja, bens em profusão (domestici ejus vestiti sunt duplicibus), vestes, ornamentos, perfumes, méritos de Jesus e de Maria cumularão a alma do escravo de Jesus e de Maria, que se despojou de si mesmo e é fiel a esta sua nudez.

 

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