PRÁTICAS EXTERIORES DA SANTA ESCRAVIDÃO

PRÁTICAS EXTERIORES DA SANTA ESCRAVIDÃO

 

Além da prática interna, esta devoção tem também práticas externas que convém não desprezar nem descuidar.

 

 

A primeira consiste em oferecer-se num dia especial a Jesus Cristo pelas mãos de Maria, de quem nos tornamos escravos; para tal fim, comungar e passar o dia em oração. Depois é preciso renovar esta consagração ao menos uma vez por ano, no mesmo dia.

 

 

A segunda consiste em apresentar todos os anos, no mesmo dia, um pequeno tributo à Santíssima Virgem, em reconhecimento da própria sujeição e dependência, tal como costumam fazer os escravos com os seus patrões. Este tributo pode consistir em qualquer mortificação, esmola, peregrinação ou algumas orações especiais. O beato Marino, como nos deixou escrito São Pedro Damião, seu irmão, todos os anos nesse dia se disciplinava publicamente diante de um altar da Virgem. Eu não peço nem aconcelho semelhante fervor; mas dado que não é muito o que oferecemos a Maria, devemos ao menos oferecer-lho com humildade e gratidão.

 

 

A terceira é a de celebrar todos os anos com particular devoção a festa da Anunciação, que é com dizer a principal solenidade desta devoção escolhida para honrar e imitar a sujeição a que o Verbo Encarnado se entregou por nosso amor.

 

 

 

A quarta parte externa consiste em recitar todos os dias (porém sob nenhuma pena de pecado em caso de omissão) a Coroinha da Santíssima Virgem, formada de três Pai-Nossos e doze Avé-Marias; recitar frequentemente o Magnificat, que é o único canto que temos da Virgem para agradecer a

 

Deus os Seus benefícios e atrair mais; especialmente convém dizê-lo como ação de graças depois da Sagrada Comunhão, como fazia a própria Virgem Santíssima segundo o juízo do pio Gersone.

 

 

 

A quinta é a de trazer uma correntezinha benzida ao pescoço, no braço, no pé e à cintura. Absolutamente falando, esta prática também se poderia omitir, sem qualquer dano na parte essencial desta devoção; porém, seria mau desprezá-la ou condená-la, e não sem prejuízo descuidá-la.

 

Eis algumas razões porque trazemos este sinal exterior:

 

1.º) Para nos livrar das funestas cadeias do pecado original ou atual que nos trouxe ligados.

 

2.º) Para honrar as cordas e os liames amorosos com que Nosso Senhor se deixou prender para nos tornar verdadeiramente livres a nós.

 

3.º) Como se trata de liames de caridade, traham eos in vinculis charitatis, servirão para nos lembrar que devemos agir sempre levados por esta virtude.

 

4.º) Para nos recordar, enfim, a nossa dependência de Jesus e de Maria na qualidade de escravos, os quais costumam precisamente trazer correntes. Muitos homens célebres que se haviam tornado escravos de Jesus e de Maria sentiam-se honrados em trazer estas correntes e lamentavam não lhes ser permitido arrastá-las publicamente aos pés como os escravos dos turcos.

 

Ó correntes preciosas! Mais gloriosa que as coleções de ouro e pedras de todos os imperadores da Terra, pois nos ligais a Jesus Cristo e à Mãe Santíssima e nos servis de distintivo e divisa!

 

Convém que estas correntes, senão puderem ser de prata, sejam de ferro e feitas de maneira a puderem trazer-se comodamente.

 

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